Nu artístico


Eu te amei, você pagou com traição. Ainda tenho boas lembranças. Ainda convivo com a mesma vertigem, a mesma vontade de assumir... ainda te amo. Me descobri por completo. Fui infantil quando me entreguei de mãos e lábios beijados. Já me perdoei por todos os trejeitos. Esse amar de mentira não me enche o peito de nada. É o mesmo amar que não consegue esquentar meu corpo nu ao lado do seu. Me falta oxigênio forte nas veias, ou qualquer coisa que tire essa pretensão das minhas costas nuas. Tem coisas que só consigo enxergar com você aqui. São coisas exageradamente grandes e invisíveis à olho nu. Tipo o tempo que já não vejo ultrapassar, ou o amor que já não vejo em você. Olho nu, costas nuas, corpo nu. Em tanta coisa nua, tanta coisa exposta nos meus gestos indelicados, algum defeito tinha que aparecer. E é aí que eu me visto, começo a viver meu próprio eu. Desando, entrelaço. Faço de mim eu mesmo. Alinha, converso. Me arrisco. Reparo. Saio aos entreolhares, às ruas cruas, vivas, nuas.

4 comentários:

  1. "Faço de mim eu mesmo."
    Ameeei! Adorei!
    A foto tá perfeita!

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  2. muito, muuuito foda. O jogo de palavras, a elaboração das frases ao cortar uma sílaba ou outra... Gostei.

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  3. Obrigado! Que bom que gostou. É ótimo quando as pessoas gostam de uma coisa que deu muuuuito trabalho pra fazer! :)

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