O amor livre que um dia senti
Escapou de mim, mas hei de te dar
Livre, percorre todo o espaço do peito
e transborda do corpo em meu olhar.
Livre, esse amor de meninos e meninas
implora para ser consumido.
Faz-se carne, boca, pelo, nuca.
Transforma o suspiro (sutil gozo da vida)
em combustível para um grito ardente
Livre e terno, o amor afrouxa a gravata.
Desvincula-se de corpos e regras,
dá-se por inteiro ao essencial momento de amar.
Não olhe mais para ti mesmo, e ame
sempre,
sem pré,
sem medo,
sem quem.
O amor é paciente, é bondoso.
Tudo suporta e em nada se cansa.
É livramento da alma armada.
O amor me escapou de tantas formas, e com tanta poesia,
que já não pede nada em troca de sua rebelde existência.
Ser livre apenas lhe basta. E assim permanece,
por mais que sufoquem os suspiros,
e desarmem as almas.
Pois quanto mais o proíbem de ser livre,
mais ele se enjaula em cada criatura a quem amei.
E essa liberdade não tem volta.
.