Retrato

Não me acho em mim. Eu não tinha esse rosto amargurado de hoje. Os olhos que ponho sobre o espelho não parecem os meus. Nada ali seria meu se não fosse obrigado acreditar que sou assim - tão livre de carnes, tão magro de liberdades. E esses lábios vermelhos - estão rubros de vergonha, e vergonha de si mesmos. Só o que fazem é dizer as coisas que sinto. Ninguém liga pra isso. Só pensam nos próprios lábios que um dia vão murchar. E esses dedos que agora tocam o espelho, encontram no vidro outros tão parecidos com eles no reflexo... Tanta é a semelhança que meus dedos nem percebem que estão sendo traídos pelos dedos no vidro. Não há nenhuma semelhança. Não é real e sim, mera coincidência. É esse tipo de traição que sempre me pega do lado de fora do espelho. Do lado da carne viva, onde a traição realmente dói. Mas estou pasmo é com os olhos. Acho injusta essa proporção do rosto - A única beleza, que vejo no reflexo da minha face descuidada está ali, no fundo dos meus olhos, onde ninguém consegue ver. Nunca estive tão farto de ser esse inocente retrato de mim. Nunca estive tão certo de que estarei sempre preso ao errado eu.
Adorei o texto! Me fez lembrar certas coisas... pensar...
ResponderExcluirParabéns :*
Obrigado ! É ótimo voltar a escrever. hahaha :*
ResponderExcluirTambém acho ótimo a sua volta! kkk
ResponderExcluirkkkkkkk tava precisando voltar ! Esse blog não é só um lugar onde eu jogo palavras - é uma necessidade !
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