Gênesis



É engraçado como tudo muda de repente - como eu durmo uma pessoa e acordo outra completamente diferente, em uma vida que parece não ser a minha. Uma noite de outono, um drink com bala de menta e de repente você em meus braços. Eu nos seus. De repente nada mais existe: somos dois corpos que não cabem em si. Sinto necessidade de gritar, mas ao invés disso, calo-me nos teus beijos. Nada consegue passar pela minha cabeça. Definitivamente o mundo é pequeno pra mim. Para ter tudo de melhor que existe nele só preciso me deitar no teu par de braços. Quentes. Firmes. Chega a ser estranho como não estou acostumado a receber carinho, ou elogios. Não sou acostumado a me sentir puramente desejado e, no entanto, você me faz sentir a pessoa mais linda do mundo. Não sei dizer - estou apaixonado pelo momento. Eu poderia passar o resto da vida naquela cama mal-feita, ouvindo as músicas de passadas lentas que você cantava no meu ouvido. Não sou acostumado a ter sorrisos só pra mim, sem ter contado piada. Tudo o que eu sou estava ali, atirado naquela cama, numa noite de outono. As folhas caem. Adão está nu! A pele arrepia no canto da nuca - é meu corpo tentando, de algum modo, me dizer que estou no céu. Teus olhos param no ar. Verdes. Vivos. Vastos. Eles me dizem que meu corpo não é mais meu. Você se deita sobre mim e diz coisas que só posso responder com um sorriso sincero. Só há verdades ali e nada pode me convencer que não foi divino. Eva comeu do fruto errado! Se a maçã tem o gosto dos teus beijos, se o pecado é o que me prende à tua cama... Então Deus perdoe-me, mas este é o paraíso ao qual pertenço.