Noite
Amor da minha vida
Reencontro
Mentiras são pecados que não aceito.
Nego-te, mas sei que te amo
Pois em momento algum foste embora do meu peito.
Não diga agora que sentiu minha falta.
Delirei cada instante da tua ausência.
Nego-te, mas sei que te amo
Pois ousei guardar em mim a tua rude essência.
E a cada vez que reencontro o teu sorriso
Lembro do teu corpo em nu artístico
Despido de qualquer futuro impreciso.
E toda vez que o reencontro em minhas vistas
Lembro que o amor é uma arte
E me pergunto se somos mesmo artistas
Corpo moreno
Minha vontade de ti é insaciável. Do teu corpo moreno solto nessa regata. Do teu sorriso escandaloso solto nesse mundo amargurado. Tudo causa dentro de mim uma explosão de cores e formas, um diálogo com o paraíso. É estranho como gosto de acreditar que algo bom sempre está por vir, mesmo que tudo esteja aparentemente no lugar. Deve ser porque somos seres incompletos, que sempre querem mais. Eu quero mais, sempre mais amor, mais beijos como os teus, mais corpo moreno e sorriso gritante. Quero isso que temos: essa mistura de vida, de fluidos corporais. A fumaça do teu cigarro se mistura com teu perfume de marca. É sexy fumar? Tua boca não fala, me responde com uma baforada discreta. Ao som de uma música que me agrada, olho em teus olhos. Acho que este é um dos poucos gestos que sabem conversar: olhar nos olhos - no fundo da alma - diz milhares de coisas. Diz o que não conseguimos dizer. Lê nos olhos do outro seus desejos não mais ocultos. Leio nos teus olhos que a noite não pode acabar. Que o sol podia dar uma folga, pegar um resfriado e se atrasar para o árduo serviço de aquecer o mundo. Já estamos quentes aqui - um corpo moreno colado no outro. Não pergunto tua idade telefone rede social casa ou apartamento. Nem me apaixonei nem posso dizer que vou esquecer. Uma única noite pode durar para sempre dentro de nós. Tudo que eu quero é esse teu sorriso folgado, teu sotaque malandro, pois só o que tenho certeza é que alguém foi perfeitamente capaz de me fazer feliz. E isso não basta - somos seres incompletos que sempre querem mais.
Vênus
É bom saber que o amor não tem grades nem correntes. Nem barreiras ou muros pichados com a ideologia de alguns. Amor que eu digo no sentido mais simples da palavra. Amor: substantivo masculino (ou feminino ou de todos que quiserem senti-lo) é qualquer coisa a qual nos apegamos de corpo e alma. O amor é de fato uma pérola: quando surgir, abra a concha e o deixe brilhar. Vivemos num tempo em que tentam cobri-lo. Recuso-me a esconder o amor que há em mim. Amo ser livre e amo o teu jeito malandro de me fazer sentir essa liberdade. É tão bom ter o seu cheiro me embriagando a todo instante. Tão bom recostar no teu peito e ouvir toda essa efervescência que flui em tuas veias. Sorrir só de olhar para os teus olhos, que me comem em carne viva. É que a gente se acostuma com uma felicidade medíocre, esperando o momento em que nos encontraremos com aquilo que nos arranca o sorriso dos olhos. Nesse dia abriremos a porta, e deixaremos que a vida nos atinja com o que ela tem de mais raro - um sentido para estarmos pulsando. Encontro um sentido para viver, e viver será o único sentido por onde andarei. Teus braços, o que são afinal? São peças que se encaixam perfeitamente nos meus. Ora, não se engane, teus braços são declarações de amor! Abraço apertado sufocado indomado. Tão forte que não consigo respirar (um modo de pedir que eu lhe beije em busca de ar. Estranho, mas dá certo. Beijo-te). Esse teu rebolado, teu corpo suado e sorriso honesto me deixam louco. Sou puro amor em essência que escorre entre os dentes. Sou amor em beijos que dei com vontade e língua. É com amor que me comunico com esse mundo vazio. E ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem amor eu nada seria.
Gênesis
É engraçado como tudo muda de repente - como eu durmo uma pessoa e acordo outra completamente diferente, em uma vida que parece não ser a minha. Uma noite de outono, um drink com bala de menta e de repente você em meus braços. Eu nos seus. De repente nada mais existe: somos dois corpos que não cabem em si. Sinto necessidade de gritar, mas ao invés disso, calo-me nos teus beijos. Nada consegue passar pela minha cabeça. Definitivamente o mundo é pequeno pra mim. Para ter tudo de melhor que existe nele só preciso me deitar no teu par de braços. Quentes. Firmes. Chega a ser estranho como não estou acostumado a receber carinho, ou elogios. Não sou acostumado a me sentir puramente desejado e, no entanto, você me faz sentir a pessoa mais linda do mundo. Não sei dizer - estou apaixonado pelo momento. Eu poderia passar o resto da vida naquela cama mal-feita, ouvindo as músicas de passadas lentas que você cantava no meu ouvido. Não sou acostumado a ter sorrisos só pra mim, sem ter contado piada. Tudo o que eu sou estava ali, atirado naquela cama, numa noite de outono. As folhas caem. Adão está nu! A pele arrepia no canto da nuca - é meu corpo tentando, de algum modo, me dizer que estou no céu. Teus olhos param no ar. Verdes. Vivos. Vastos. Eles me dizem que meu corpo não é mais meu. Você se deita sobre mim e diz coisas que só posso responder com um sorriso sincero. Só há verdades ali e nada pode me convencer que não foi divino. Eva comeu do fruto errado! Se a maçã tem o gosto dos teus beijos, se o pecado é o que me prende à tua cama... Então Deus perdoe-me, mas este é o paraíso ao qual pertenço.
Amor
Ela só queria sorrisos em seu rosto. E porque queria, eles brotavam no canto da boca. O cabelo daquele mesmo jeito: uma bagunça arrumada. Nunca soube lhe dizer de verdade o quanto a amava, mas ela entendia que sim - ela era de fato a coisa mais preciosa que eu tinha. É tão estranho como as pessoas que nos entendem melhor ficam fora do alcance de nossas mãos. Como estrela, ela brilhava fora do alcance das minhas. Mas isso não me importava... Havia tanto pra amar - e ela era só amor - que eu simplesmente a amava. Todas as horas do meu dia. Todas as noites em meus sonhos. Com ela eu estarei até o fim do mundo. E aliás, o fim do mundo é nada mais que o começo de nós dois: quando encontramos alguém que nos faz feliz, o resto do mundo para de existir. Ela me fazia feliz, e eu tentava fazer dela a pessoa mais amada de todas! Talvez ela não se sentisse assim, mas sem saber, ela era. Nunca lhe enviei flores, nem sequer segurei suas mãos. Nunca serei o homem que ela precisa, nem o que ela mais quer. Mas não há nada no mundo que me faça desistir de dizer: eu a amo, tanto e tanto, que se todo o amor que existe fosse meu, seria ele todo teu.
Luz de teus olhos
De repente não tenho mais sonhos de vida. Não sei mais o que preciso além de ti. Nunca pensei que ser livre significaria estar completamente preso a alguém. A luz dos teus olhos me atrai com uma força irresistível, chama meu corpo pra perto do teu e, lentamente, me trai com meus próprios desejos. Nunca pensei que pudesse sentir tanta vontade - essa insaciável vontade de te amar como se o sol não precisasse nascer amanhã. Jamais imaginei, nem nos meus melhores sonhos, que pudesse riscar suas costas com as unhas e me sentir no céu. Teus olhos são o céu. E a paz que vem lá de dentro se opõe claramente a escuridão dos meus. Os gritos que guardei começam a sair como música. É algo tão bom que beijos não são suficientes. Mas não guardo sentimentos no peito. Nele não há espaço pra mais nada além do sangue que corre rápido pelas veias, tentando expulsar de mim todo o amor que sinto, para que enfim eu possa transmiti-lo a ti. O que somos nós além de belos corpos que transmitem um desejo em comum? Não que isso seja ruim, pelo contrário: quando amamos um ao outro, todo o resto desaparece, e o que sobra somos nós mesmos - de corpo e alma incontroláveis. Afinal, somos só animais. Quando estamos a sós tudo é simplicidade. Aí está você, usando-me. E aqui estou eu, gostando-te... Simples, pois, como a luz dos teus olhos que se fecham em silêncio, me dizendo que nada acabou. Que mesmo que não precise, o sol nascerá e devolverá a mim a luz de teus olhos.
Ressonância
Por mais um dia seus sorrisos me fazem feliz. Está tudo tão calmo que posso ouvir sua respiração aumentar quando nos aproximamos. Quando me jogo em seus braços esperando o inverno chegar. E quando o sol vai sumindo do dia, espiando por detrás do horizonte, você se encosta em meu peito, como se quisesse por um segundo ter certeza de que meu coração ainda bate por ti. Eu rio. Mergulho em seus olhos na mais profunda escuridão, sem medo de não achar o caminho de volta. Na verdade, eu sempre me perco em você. Em algum canto, encontro a saída - acho que é quando seus lábios finalmente tocam os meus e sou obrigado a fechar os olhos. São gestos lentos e sutis, como se estivéssemos experimentando um ao outro. Provando além da carne, e sorrindo. Minhas mãos se agarram às suas e então você já sabe... Não há paz maior no mundo que dançar em seus braços ao som do silêncio. Passos surdos pra lá e pra cá e você se joga ao chão, com a certeza de que vou te pegar quando cair. E eu rio. Mergulho no som da suas risadas que quebram o silêncio, mas não a paz do ambiente. Afinal, uma garrafa de álcool vai percorrer nossos corpos em dois minutos. Você vai sorrir em um minuto, quando acabar de beber do gargalo. Vou sentir uma ardência em cinco segundos, quando a loucura engarrafada descer pela minha garganta. E vamos ser felizes essa noite, porque não preciso esperar pra saber que te amo.
Melancolia
Bailado
Vernalagnia
Ímpares
Sinto falta da tua pele branca que nunca toquei, da sensação de agonia da tua barba que nunca senti e da segurança dos teus braços que futuramente estarão ao meu redor, guardando-me do medo de te perder. Tenho desejo do teu par de olhos negros me enchendo de observações, sinto sede da tua pele tocando a minha meio que despercebidamente num caminhar vespertino.
Venho a mais ou menos 1460 dias sentindo o vazio do tamanho de sete grandes lagoas; carrego em mim o pesar da saudade daquele que jamais fiquei frente a frente. E me deito mais uma vez. Por alguns instantes o universo pode ser atravessado em um único passo, e então você está comigo — Aos berros, aos beijos, aos ventos soltos que te trouxeram pra mim. Penso em você como se o mundo se reduzisse à nada e de repente você está ali, pronta pra mim, vestida de sorrisos que despertam em minha boca o prazer de gargalhar também. Pois se sorrir tiver um tamanho, que seja maior que a boca. Se viver tiver um tamanho, que seja menor que a distância entre nós. E se por fim amar tiver um tamanho, que seja maior que nós dois. Ou que seja imensurável então! Afinal, entre dois lábios, pensar ou não em dizer alguma coisa já não faz sentido. Conversamos tanto antes de sermos um do outro... Silêncio faz mais sentido agora. Calar os lábios, molhar os beijos, sermos ímpares. Sermos enfim um par.
Texto escrito em colaboração com Julhy Van Den Berg, do blog Meu Quem Sou Eu
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