
Quero um jeito novo, qualquer maneira diferente de dizer que te amo. Sussurrar aos seus brincos, ao pescoço arrepiado, tudo que guardei embaixo da língua e não consegui dizer à mais ninguém. Quero um lugar novo pra colocar tanto desejo. Um copo marcado de batom, para beber da sua boca, os sorrisos sem gelo que me prometeu sem saber. Quero ser amado também. Cobrir meu corpo com o seu. O meu amor por você é exagerado. E esse exagero cabe perfeitamente na vontade. E a vontade que não cabe em mim, ou em você, tem seu lugar perfeito, entre nós, no pequeno espaço de um beijo. Quero suas mãos nas minhas. Esses dedos com dedos que parecem simples, são o meu jeito de mostrar que não preciso de nada pra te prender à mim. E essa distância que dizem que separa, só me fez apegar ainda mais aos seus passos eternamente fugindo. Amo você com todo o meu ser. Com toda a coragem que me falta de dizer que é pra sempre. Com todos os beijos que faço questão de beijar de olhos fechados. Olhando nos olhos de outra, e cego de amar você.

Eu tenho muita coisa pra dizer. Dessas coisas que só eu sinto, só eu sei. Coisas que me perturbam pelo simples fato de eu não conseguir prever como elas serão ditas, e principalmente ouvidas. São coisas assim que me suam as mãos quando te vejo, que me molham os lábios quando sonho que te beijo. Eu quero muita coisa. Não quero anjos disfarçados, não quero proteção. Quero você com seus pecados imperdoáveis. Quero você e eu... quero nós. Mais nós. Amarrados, entrelaçados, inseparáveis... Quero nós apertados que não nos separe, que tenham a indecifrável química do roçar das cordas, dos corpos. Quero coisas que no final das contas, não são tanta coisa assim... Só quero o que preciso, só preciso de você. Eu tenho muita coisa. Tenho café quente, lençóis limpos, sorrisos espontâneos, dias quietos. Tenho tudo que me é essencial. Exceto você. Não tenho ninguém pra dividir os cafés, os lençóis, sorrisos... Tenho tanta coisa guardada, mofada. Não falo de nada concreto, está tudo guardado, mofando dentro de mim. Quero tanta gente, tanta coisa, e tanta gente não me quer, tanta coisa me repele. E no fim, digo tanta coisa... elevo o tom de voz até que suma da garganta a voz que todos ouvem, menos quem precisa ouvir o amor que gritei.
Eu te amei, você pagou com traição. Ainda tenho boas lembranças. Ainda convivo com a mesma vertigem, a mesma vontade de assumir... ainda te amo. Me descobri por completo. Fui infantil quando me entreguei de mãos e lábios beijados. Já me perdoei por todos os trejeitos. Esse amar de mentira não me enche o peito de nada. É o mesmo amar que não consegue esquentar meu corpo nu ao lado do seu. Me falta oxigênio forte nas veias, ou qualquer coisa que tire essa pretensão das minhas costas nuas. Tem coisas que só consigo enxergar com você aqui. São coisas exageradamente grandes e invisíveis à olho nu. Tipo o tempo que já não vejo ultrapassar, ou o amor que já não vejo em você. Olho nu, costas nuas, corpo nu. Em tanta coisa nua, tanta coisa exposta nos meus gestos indelicados, algum defeito tinha que aparecer. E é aí que eu me visto, começo a viver meu próprio eu. Desando, entrelaço. Faço de mim eu mesmo. Alinha, converso. Me arrisco. Reparo. Saio aos entreolhares, às ruas cruas, vivas, nuas.

Não me acho em mim. Eu não tinha esse rosto amargurado de hoje. Os olhos que ponho sobre o espelho não parecem os meus. Nada ali seria meu se não fosse obrigado acreditar que sou assim - tão livre de carnes, tão magro de liberdades. E esses lábios vermelhos - estão rubros de vergonha, e vergonha de si mesmos. Só o que fazem é dizer as coisas que sinto. Ninguém liga pra isso. Só pensam nos próprios lábios que um dia vão murchar. E esses dedos que agora tocam o espelho, encontram no vidro outros tão parecidos com eles no reflexo... Tanta é a semelhança que meus dedos nem percebem que estão sendo traídos pelos dedos no vidro. Não há nenhuma semelhança. Não é real e sim, mera coincidência. É esse tipo de traição que sempre me pega do lado de fora do espelho. Do lado da carne viva, onde a traição realmente dói. Mas estou pasmo é com os olhos. Acho injusta essa proporção do rosto - A única beleza, que vejo no reflexo da minha face descuidada está ali, no fundo dos meus olhos, onde ninguém consegue ver. Nunca estive tão farto de ser esse inocente retrato de mim. Nunca estive tão certo de que estarei sempre preso ao errado eu.