Oração ao cadáver



agradeço a quem?
por todos os corpos que me passaram pela mente
por todos os corpos que me passaram pelo corpo
por todos os corpos que de amor fiquei doente
por todos os corpos que foram meu anticorpo

por todos os corpos que se deitaram sozinhos
por todos os corpos que se deitaram
com todos os corpos
por todos os corpos que deram carinho
por todos os corpos que deram o troco

por todos os corpos que foram imperfeitos
por todos os corpos que aceitaram o amor
por todos os corpos que exigiram seus direitos
por todos os corpos que disseram 'sim senhor'

por todos os corpos que ousaram pecar
e com outros corpos viraram um só ser
não pelos corpos que viveram sem ousar,
mas pelos que morreram conhecendo o viver



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Amor livre





O amor livre que um dia senti
Escapou de mim, mas hei de te dar

Livre, percorre todo o espaço do peito
e transborda do corpo em meu olhar.
Livre, esse amor de meninos e meninas
implora para ser consumido.

Faz-se carne, boca, pelo, nuca.
Transforma o suspiro (sutil gozo da vida)
em combustível para um grito ardente

Livre e terno, o amor afrouxa a gravata.
Desvincula-se de corpos e regras,
dá-se por inteiro ao essencial momento de amar.
Não olhe mais para ti mesmo, e ame
sempre,
sem pré,
sem medo,
sem quem.

O amor é paciente, é bondoso.
Tudo suporta e em nada se cansa.
É livramento da alma armada.

O amor me escapou de tantas formas, e com tanta poesia,
que já não pede nada em troca de sua rebelde existência.
Ser livre apenas lhe basta. E assim permanece,
por mais que sufoquem os suspiros,
e desarmem as almas.

Pois quanto mais o proíbem de ser livre,
mais ele se enjaula em cada criatura a quem amei.
E essa liberdade não tem volta.


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Eu te amo




                                  Estive pensando em te ver,
                                  Um dia desses te encontrar,

                                  Te pedir o mundo sem agradecer,
                                  Explicar meu jeito louco de amar,

                                  Abraçar o teu corpo disperso,
                                  Molhar a saliva na tua - e enfim
                                  Ouvir da tua boca o desejo emerso (da primeira letra de cada verso)


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