Algo queima aqui dentro. Como nunca antes queimou. As noites estão curtas demais. O sangue está quente demais. Já não faço a cama de manhã. Culpa tua! E minha também, afinal houve o tempo em que éramos dia, mas preferimos a noite ser. De todas as grandes ironias da vida, escolhi que seria apenas eu: me viciei em libertar-me dos vícios. Escolhi você e seus pecados imperdoáveis, e a distância entre meus braços e os teus
— tão próxima de se acabar a cada passo dado entre a porta e a cama. Apenas desisti de tentar capturar tudo aquilo que me fazia feliz. Egoísmo sempre foi uma das merdas humanas que mais desprezei. Já não quero mais que os bons momentos durem para sempre. Prefiro que eles se repitam pela eternidade, e que a cada vez que isso acontecer, exista sempre algo de diferente que dê um novo significado à perfeição.
Nouit est liberté! Meu peito não tem mais grades, tudo entra e sai livremente. Se algo ou alguém fica, é porque assim escolheu. E no momento em que pus os olhos em ti, soube que ficaria. Que tudo entre nós seria intenso, infinito enquanto durasse o calor do sangue nas veias. E quando não estou contigo, esse calor se vai. Sinto sempre um frio na barriga. É um frio escandaloso, que grita de forma insuportável dentro de mim. E aí você chega perto, um cala-frio percorre o meu corpo e o frio se cala. Obedece. Esquenta meu corpo na tua presença. E ao seu menor toque, atiça meus desejos mais ocultos, agora denunciados, nus na pele arrepiada. Desejos que queimam como nunca antes, e não fazem luz ou alarde, apenas nascem no clarão da noite e morrem na escuridão do amanhecer.
"Já não quero mais que os bons momentos durem para sempre. Prefiro que eles se repitam pela eternidade" LINDO, ficou maravilhoso!
ResponderExcluirobrigado linda! ♥
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